
Cabelos: às vezes a la Chico César outras à Tina Turner. Roupas: os modelitos ficariam melhor na Corinne Bailey Rae (a mocinha do clipe da bicicletinha). Rosto: lembra algum personagem de mangá do naipe de Dragon BallZ ou Pokemon. Postura: contorções no banquinho muito parecidas com a do Keith Jarret.
Mas o mais importante, detendo um cabedal infinito de frases que passeiam livremente por Michel Petrucciani, Bob James, Oscar Peterson, Ahmad Jamal e Chick Corea, amigos, eu lhes apresento Hiromi Uehara.
Bem, ela tem 28 anos, estudou Direito em Tóquio e no seu currículo, 6 cds solos, deixando muito tiozão e vovô embasbacados, desde o canadense Oscar Peterson, o pai de todos os pianistas de jazz, infelizmente finado há menos de seis meses, até o próprio Corea, o qual considero o Mozart de nossos tempos, com o qual tocou tête à tête ainda adolescente, mas numa uma autoridade de Hancock no arquetípico álbum "An Evening: In Concert".
O som da moça é algo fusion, aliás, é difícil de rotular a qual gênero pertenceria, é um desafio classificá-la - coabitam na sua música Bach e Sly & the Family Stone, Rimsky-Korsakov e Dream Theater - mesmo assim a nipônica já arrancou em festivais, aplausos efusivos dos mais puristas, daqueles que blindam o bebop como o único estilo autorizador do jazz, tal é a sua impressionante técnica, precisão, criatividade e virtuosismo - o que é a mão esquerda dessa mulher?
De fato, a oriental coloca em sua música a experiência e técnica que acumulou desde a filarmônica tcheca (aos 13 anos!) até a Berklee, a escola de música mais cobiçada do mundo, acresça a tudo isso ainda com uma espontaneidade e energia fora do comum, chegando suas composições, a uma complexidade de tanger algum compositor russo do final do século retrasado, mas que são executadas como uma brincadeira de menina, uma trilha sonora de desenho animado de gato e rato. Tudo parece fácil a ela, passa o show inteiro sorrindo, respira no ritmo da música - entre uma frase e outra - e solfeja, não lhe bastando conquistar apenas pela música efusiva e vigorosa, mas também pela extrema simpatia, carisma e brandura que transmite aos músicos de apoio e ao público que a assiste: "a melhor coisa na música é comunicar através dela com as pessoas. É uma questão de transmissão de energia. Posso entregar-lhes energia e receber de volta. Assim é a música", diverte-se.
Enfim, é realmente formidável a musicista e a respectiva música do arquipélago do sol nascente, só nos deixando a lamentar o fato de que o navio Kasatu Maru, aquele que aportou há exatos 100 anos no Brasil trazendo os imigrantes japoneses, não trouxe algum tataravô da pianista.
Mas o mais importante, detendo um cabedal infinito de frases que passeiam livremente por Michel Petrucciani, Bob James, Oscar Peterson, Ahmad Jamal e Chick Corea, amigos, eu lhes apresento Hiromi Uehara.
Bem, ela tem 28 anos, estudou Direito em Tóquio e no seu currículo, 6 cds solos, deixando muito tiozão e vovô embasbacados, desde o canadense Oscar Peterson, o pai de todos os pianistas de jazz, infelizmente finado há menos de seis meses, até o próprio Corea, o qual considero o Mozart de nossos tempos, com o qual tocou tête à tête ainda adolescente, mas numa uma autoridade de Hancock no arquetípico álbum "An Evening: In Concert".
O som da moça é algo fusion, aliás, é difícil de rotular a qual gênero pertenceria, é um desafio classificá-la - coabitam na sua música Bach e Sly & the Family Stone, Rimsky-Korsakov e Dream Theater - mesmo assim a nipônica já arrancou em festivais, aplausos efusivos dos mais puristas, daqueles que blindam o bebop como o único estilo autorizador do jazz, tal é a sua impressionante técnica, precisão, criatividade e virtuosismo - o que é a mão esquerda dessa mulher?
De fato, a oriental coloca em sua música a experiência e técnica que acumulou desde a filarmônica tcheca (aos 13 anos!) até a Berklee, a escola de música mais cobiçada do mundo, acresça a tudo isso ainda com uma espontaneidade e energia fora do comum, chegando suas composições, a uma complexidade de tanger algum compositor russo do final do século retrasado, mas que são executadas como uma brincadeira de menina, uma trilha sonora de desenho animado de gato e rato. Tudo parece fácil a ela, passa o show inteiro sorrindo, respira no ritmo da música - entre uma frase e outra - e solfeja, não lhe bastando conquistar apenas pela música efusiva e vigorosa, mas também pela extrema simpatia, carisma e brandura que transmite aos músicos de apoio e ao público que a assiste: "a melhor coisa na música é comunicar através dela com as pessoas. É uma questão de transmissão de energia. Posso entregar-lhes energia e receber de volta. Assim é a música", diverte-se.
Enfim, é realmente formidável a musicista e a respectiva música do arquipélago do sol nascente, só nos deixando a lamentar o fato de que o navio Kasatu Maru, aquele que aportou há exatos 100 anos no Brasil trazendo os imigrantes japoneses, não trouxe algum tataravô da pianista.
Thiago Faria - 29/06/2008
Nenhum comentário:
Postar um comentário