segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A VIDA DE BRIAN


"Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal; 'pede-o ou em baixo nas profundezas' ou em cima nas alturas". (Isaías 7:11)

Brian Bromberg é baixista super versátil, capaz de impor as mesmas caracteristícas de fraseado seja em baixo elétrico ou acústico, e de mostrar a que veio no jazz tradicional, no funk ou no fusion. Bromberg é também um dos poucos baixista a dominar a técnica de "tapping" famosa por conta do guitarrista Stanley Jordan, o que dá a impressão que há três baixistas tocando ao mesmo tempo durante seus estrondosos solos. Embora ele tenha começado como baterista aos 13, a partir dos 14 anos Bromberg pegou aulas de baixo clássico. Aí ele se desenvolveu tão rapidamente, que aos 19 já fazia parte do grupo de Stan Getz.
Desde então, Bromberg tem sido valioso integrante de bandas de jazz incluindo as lideradas por Horace Silver, Monty Alexander, Dizzy Gillespie, Richie Cole, Lee Ritenour, Dave Grusin, e Freddie Hubbard.
Gravou seu primeiro álbum-solo em 1986 e, desde então, produziu vários CDs para os selos Intima e Nova.
Agora, no selo Artistry, lança em 2007 esse ótimo Downright Upright, indicado ao Grammy (oscar da música). Tudo bem que à primeira vista, olhando-se os créditos, induziria que se trata de um CD crossover mela-cueca, principalmente quando se vêem os saxes tenores Kirk Whalum e Boney James, o trompetista Rick Braun e o tecladista Jeff Lorber, todos velhos conhecidos do pop-soft-jazz os quais em certos momentos, realmente, dá a sensação de música de elevador.
Mas o CD consegue surpreender com os standards criativos de R&B-fusion-jazz: Cantaloupe Island e Chameleon do Herbie Hancock e Mercy Mercy Mercy do Zawinul. Além dos temas de autoria do próprio baixista, ainda mais que na bateria está quem? quem? Raimundo Nonato Vinnie Colaiuta! Percebo que quando o músico está a fim de ganhar prêmios com seu trabalho é só colocar o Colaiuta na bateria, nos vários CDs - das várias categorias - indicados ao prêmio, o baterista aperece em sete, inclusive no CD da resenha anterior "River: the joni letters.
Para quem já conhece o trabalho de mais de 30 anos de Bromberg pouca surpresa terá ao ouvir seu típico baixo-trovão (termo que acabei de inventar e que bem o identifica), com seus peculiares timbres e solos estripitosos, como nos dois trabalhos com o batera japa - ex-Casiopea - Akira Jimbo, numa patente antinomia ao próprio nome do instrumento (baixo). Mas que seu som sempre é bem-vindo, isso é inegável. Pela sua força, profundidade e frases de ótimo gosto, intuitivas.
Thiago Faria - 08/02/2008

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